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Vamos ler essa figura como um sistema dinâmico, não como uma agenda fixa. Planejamento, Produção e Capacitação são forças que competem pelo mesmo recurso escasso: tempo cognitivo e energia.
Se você passa 40% em produção, 40% em capacitação e 20% em planejamento, as consequências tendem a ser estas:
Primeiro, produção alta no curto prazo.
Quarenta por cento do tempo produzindo garante entrega, movimento, sensação de avanço. O motor está ligado. Resultados aparecem, especialmente em tarefas já dominadas. O problema não surge agora — ele se acumula silenciosamente.
Segundo, crescimento técnico acelerado, mas parcialmente mal direcionado.
Quarenta por cento em capacitação é muito. Isso aumenta repertório, visão, técnica e potencial futuro. Só que capacitação sem planejamento suficiente vira um fenômeno clássico: aprender coisas boas na ordem errada. Você fica mais forte, mas nem sempre na direção certa. Surge o risco do “estudo improdutivo”: muito conhecimento, pouco acoplamento ao objetivo do negócio.
Terceiro, planejamento subdimensionado gera atrito invisível.
Com apenas 20% de planejamento, algumas coisas começam a acontecer:
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Prioridades ficam reativas, não estratégicas
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A produção passa a responder ao urgente, não ao importante
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Parte da produção é retrabalho disfarçado
-
A capacitação não conversa plenamente com os gargalos reais
Nada explode. Mas a eficiência cai devagar, como um vazamento pequeno num tanque grande.
O efeito combinado é curioso:
Você trabalha muito, aprende muito, mas extrai menos do que poderia de ambos.
Em termos práticos, isso costuma gerar:
-
Boa produtividade aparente, mas menor alavancagem
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Evolução técnica real, porém retorno financeiro mais lento
-
Sensação de estar sempre ocupado, mas nem sempre estrategicamente avançando
-
Crescimento do negócio abaixo do potencial máximo possível para o esforço investido
Existe um princípio quase físico aqui:
Planejamento é o multiplicador silencioso da produção e da capacitação.
Quando ele cai demais, os outros dois continuam funcionando, só que com rendimento menor.
Essa distribuição não é “errada”. Ela é típica de fases de execução intensa e aprendizado acelerado. O risco surge quando vira padrão permanente. A médio prazo, o sistema mais eficiente costuma redistribuir parte do tempo da capacitação e da produção para planejamento, porque isso aumenta o retorno de ambos sem aumentar esforço total.
Em linguagem simples:
Você corre bastante, fica mais forte, mas escolhe o caminho enquanto já está correndo — e isso cobra um pedágio invisível ao longo do percurso.
“Distribuição ideal” não é um número mágico; é um equilíbrio que muda conforme a fase do sistema. Ainda assim, dá para estabelecer um ponto ótimo estrutural, aquele que maximiza resultado com o menor desperdício de energia ao longo do tempo.
Vamos pensar como engenheiros, não como motivadores.
O equilíbrio mais estável (regime normal)
Para a maioria dos negócios e carreiras técnicas em operação contínua, a distribuição que tende a gerar maior eficiência sistêmica é:
≈ 30% Planejamento
≈ 50% Produção
≈ 20% Capacitação
Por quê?
Planejamento (30%)
Aqui acontece a mágica silenciosa:
-
Definição clara de prioridades
-
Alocação correta da energia
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Corte de tarefas de baixo impacto
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Direcionamento exato da produção
-
Escolha do que aprender e quando aprender
Esse 30% não é burocracia. É design do sistema. Cada ponto percentual aqui costuma multiplicar os outros dois.
Produção (50%)
Metade do tempo é suficiente para:
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Gerar caixa
-
Validar ideias no mundo real
-
Transformar estratégia em resultado
-
Criar feedback real (sem isso, planejamento vira teoria)
Produção abaixo disso costuma virar “projeto eterno”. Acima disso, vira modo bombeiro.
Capacitação (20%)
Aprender menos, melhor e com alvo definido:
-
Foco em gargalos reais
-
Aprendizado imediatamente aplicável
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Menos acúmulo, mais conversão em performance
Capacitação demais reduz ROI; capacitação de menos gera estagnação.
Quando essa proporção muda
O sistema não é estático. Ele oscila conforme a fase:
Fase de construção / transição
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35% Planejamento
-
35% Produção
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30% Capacitação
Fase de execução intensa / escala
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25% Planejamento
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60% Produção
-
15% Capacitação
Fase de estagnação ou queda de resultado
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40% Planejamento
-
40% Produção
-
20% Capacitação
Repare no padrão:
👉 Planejamento nunca cai abaixo de 25% sem custo
👉 Capacitação raramente passa de 30% sem perda de eficiência
Regra de ouro (vale como bússola mental)
Se os resultados financeiros estão abaixo do esforço → falta planejamento.
Se o esforço é alto e o teto está próximo → falta capacitação.
Se tudo está claro, mas nada acontece → falta produção.
O sistema saudável não maximiza tempo.
Ele maximiza alavancagem.
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